Sello Oração E Caridade

Respeitável Loja de São João

Oração e Caridade nº 22

Somente a Ordem é o princípio do Regime Escocês Retificado

Somente a Ordem é o princípio do Regime Escocês Retificado

Diretório Nacional Retificado da França
Grande Diretório das Gálias

SOMENTE A ORDEM É O PRINCÍPIO DO REGIME ESCOCÊS RETIFICADO

Durante o Convento das Gálias foi decretada uma lei que se tornará no próprio princípio do Regime Escocês Retificado: é a “Ordem”, considerada como base e princípio, e não como estrutura obediencial, que legitima e fundamenta a regularidade das Lojas.

Conforme o Código Geral das Lojas Reunidas e Retificadas da França:

“As Lojas nada mais são do que sociedades particulares, subordinadas à sociedade geral, que lhes dá a existência e os poderes necessários para representá-la na parte da autoridade que lhes confia; que esta autoridade parcial emana daquilo que reside essencialmente no centro comum e geral da Ordem…” [1]

Portanto, requer-se que se possa erigir uma Ordem iniciática de essência cavaleiresca, mas de uma cavalaria completamente espiritual, destinada a travar uma batalha sutil que se encontra no invisível, capaz de lotar, não para restabelecer uma Ordem material desaparecida no curso da história no séc. XIV, como a Ordem do Templo, mas sim contra os resquícios da degradação original, participando de um combate capaz de reduzir e derrubar as forças que aprisionam aos seres nos obscuros calabouços do domínio das sombras desde a Queda.

René Guénon (+1951) sobre este ponto, recorda de forma pertinente o que concerne a maçonaria moderna quando se aplica a suas formas tradicionais o modelo das estruturas profanas:

“Esta ‘degeneração’, se em nada altera a natureza essencial da Maçonaria, torna perfeitamente explicável os numerosos desvios que ocorreram durante os últimos três séculos e cuja organização sob a forma ‘obediencial’, em estruturas que apresentam o evidente defeito de ‘ter se moldado segundo a forma dos governos profanos’, é um caráter muito sintomático desta modernidade.” [2]

É por isso que – para render homenagem a Marius Lepage (+1972), grande maçom que tomou a iniciativa de convidar o Reverendo Padre Michel Riquet para a Loja – pode-se adicionar estas linhas sem repudiar a Willermoz:

A Ordem é de essência indefinível e absoluta; a Obediência é submissa a todas as flutuações inerentes a fraqueza congênita do espírito humano. [3]

Fica claro, já que em nossos dias perdeu-se muito da compreensão do que é a “Ordem” segundo os critérios do Regime Retificado, e chegou o momento de voltar novamente aos princípios da Reforma de Lyon, tal como consta em uma das instruções citadas no Convento das Gálias:

Buscais retornar ao primeiro objetivo da Iniciação Maçônica e acabamos por vinculá-los a uma Ordem que corresponde aqueles que somente podem instruí-los. Se souberes algum dia fazer-se reconhecer como um verdadeiro Cavaleiro Maçom da Cidade Santa; se construíres constantemente em um Templo do Senhor; […] podereis conceber a esperança de alcançar o objetivo desejado. (Instrução do 5º Grau, 1778)

Fontes Bibliográficas:

[1] Código Maçônico das Lojas Reunidas & Retificadas da França, tal como foi aprovado pelos Deputados dos Diretórios no Convento Nacional de Lyon, 5778;
[2] R. Guénon, Considerações sobre a Iniciação, Cap. XIV, “Das qualificações iniciáticas”; e Cap. XXIX, “Operativo” e “Especulativo”;
[3] Marius Lepage, L’Ordre et les Obédiences, Histoire et Doctrine de la Franc-Maçonnerie, 1956, p. 8.

Como se governa o Regime Escocês Retificado?

Como se governa o Regime Escocês Retificado?

Extrato do Código Geral dos Regulamentos da Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa (CBCS), decretado no Convento Nacional das Gálias realizado em novembro de 465/1778.

Título 4: Governo Geral da Ordem
Artigo I: Natureza do Governo

“O governo da Ordem é aristocrático, os chefes são Presidentes dos respectivos Capítulos. O Grão-Mestre Geral não pode empreender nada sem a opinião dos Provinciais, o Mestre Provincial sem a dos Priores e dos Prefeitos, os Prefeitos sem a dos Comendadores, e estes sem ter conferenciado com os Cavaleiros de seu distrito. Todos os Presidentes de Assembleias, Mestres Provinciais, Grandes Priores e Prefeitos tem sempre direito, depois da exposição do assunto por parte do Conselheiro, a primeira voz consultiva e a última deliberativa.

Em todas as Assembleias da Ordem prevalecerá sempre a pluralidade de sufrágio, e as decisões tomadas devem ser colocadas em prática de forma imediata, independente de qualquer recurso de apelação. Esta lei de pluralidade é sagrada e fundamental na Ordem, como em qualquer sociedade bem ordenada; esta lei é a defesa da liberdade e a garantia contra o despotismo. Um chefe ou Presidente de uma Assembleia, que queira abusar de seus poderes, até o ponto de transgredir esta lei fundamental, será considerado perjuro em suas obrigações; e incorre nas punições mais graves por parte de seus Superiores”.

Artículo III: Grão-Mestre Geral

“Não pode alterar nada na constituição da Ordem por sua própria autoridade, nem exercer nenhum poder arbitrário, nem exigir de nenhum dos Cavaleiros nada que seja contrário aos regulamentos e estatutos; todos os Cavaleiros lhe devem respeito e obediência sub estas reservas.”

Fica claro que a Ordem é governada pelos Cavaleiros, daí seu Regime Aristocrático. Portanto, a Autoridade sempre emana do Grande Capítulo Geral da Ordem, resguardando do despotismo e do poder arbitrário. O que for aprovado pelo Grande Capítulo para o bom governo da Ordem é executado imediatamente por quem a representa, que é o Grão-Mestre/Grão-Prior.

Aquele que, ostentando um determinado cargo e abusa de seu poder, contra o que está estabelecido pelos Códigos da Ordem e contra a vontade dos Cavaleiros que o elegeram para representá-los, este se converte em um perjuro. Mas se além disso, ainda justifica seu abuso em nome de Deus, então este perdeu o juízo.

Quando é instalado na Ordem Interior um Comendador ou um Prefeito, o último Cavaleiro Armado lhe devolve sua espada dizendo:

“Nós, que somos como vós, e todos juntos mais que vós, o aceitamos como Comendador/Prefeito. Se não cumprires com os compromissos que haveis prometido dar exemplo, nós o intimaremos.”

Uma belíssima frase que sintetiza o verdadeiro espírito cavaleiresco da Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa.

Non nobis Domine, non nobis, sed Nomine Tuo da Gloriam.

A Festa da Renovação da Ordem

A Festa da Renovação da Ordem

De 06 de novembro, por Gilles Ducret

Eis que, há pouco mais de dois séculos, a Maçonaria Retificada tomava corpo no Convento Nacional de Lyon, realizada em novembro de 1778. É deste Convento que data o Código Maçônico das Lojas Reunidas e Retificadas que prevê, no capítulo de Banquetes & Festas, junto as de São João, esta festa de Renovação da Ordem de 06 de novembro.

O referido Código especifica que durante esta Festa será feito a leitura do Código dos Regulamentos Maçônicos e o Orador pronunciará um discurso solene, no decorrer da qual sugerirá que se possa falar da reforma alemã e francesa, e das ações de beneficência que a Maçonaria tem feito nas diversas regiões da Europa. Prevê também que será tratado, neste dia, de reunir no mesmo local todas as Lojas da mesma cidade ou de uma mesma Comarca.

Não querendo tomar aqui o lugar do Irmão Orador, nosso papel se limitará, simplesmente, a chamar a atenção dos Irmãos sobre a importância que reveste esta Festa, também para a Ordem em geral, e para esta Loja e cada um dos que a compõem em particular.

Nos limitaremos a três observações e um desejo:

I. A importância desta Festa para a Ordem em geral

Esta Festa, enquanto Festa da Ordem, nos parece afirmar três coisas essenciais:

  1.  A noção de Ordem;
  2. A ideia de uma renovação da Ordem;
  3. A consciência da vocação iniciática da Ordem.

1º. A noção de Ordem

Esta noção de Ordem está sempre presente na Maçonaria Retificada. Mas, de que Ordem se trata?

O Irmão Preparador anúncia durante a entrada do candidato (cf. Ritual do Grau de Aprendiz.)

“Lhe convidamos a não confundir jamais a respeitável Ordem dos Franco-Maçons com essa multidão de indivíduos, e também de Lojas, que usurpam esse título, embora ignorem ou desconheçam a finalidade real e seus verdadeiros princípios, e que degradam assim a Franco-Maçonaria com sua conduta, e mais ainda pelas falsas doutrinas que adotam e que não escondem professar”.

O Venerável Mestre veste o Aprendiz com o avental dizendo-lhe (cf. Ritual do Grau de Aprendiz.) “Receba de minhas mãos o hábito da Ordem mais antiga e respeitável que jamais existiu”.

Trata-se assim, sem nenhum equívoco, da Ordem dos Franco-Maçons.

2º. A ideia de uma renovação da Ordem

Diz-se, que a Maçonaria Retificada sempre desejou, desde sua fundação, por reformar, por restituir a Franco-Maçonaria autêntica. Todos conhecem esta passagem de uma carta de Willermoz a Charles de Hesse, de 12 de outubro de 1781: “Estou convencido, desde minha entrada na Ordem, de que a Maçonaria velava verdades raras e importantes, e esta opinião se transformou em minha bússola”.

Desde então, para Willermoz, retificar a Maçonaria foi sua razão de existir, fazendo dela o veículo das “verdades raras e importantes” que ela possuía sob forma velada. Esta aí o que podemos chamar de Renovação da Ordem, pois a retificação esperada e trabalhada por Willermoz encontrou sua consagração nos Conventos de Lyon e Wilhelmsbad.

3º. A consciência da vocação iniciática da Ordem

É em razão desta vocação iniciática que a Maçonaria havia perdido, pelo que Willermoz empreendeu sua retificação, trazendo os Irmãos de volta à Ordem. É essencial para um Maçom, sentir que pertence a uma Ordem com a qual deve formar um corpo. E esta festa, como as demais festas, nos permite reafirmar, de coração e de palavra, este laço essencial.

II – A importância desta Festa para nossa Loja

O trabalho de retificação da Maçonaria, empreendido por Willermoz, deve ser continuado por nossa Loja. A este respeito, três coisas nos parecem essenciais na renovação de nossa Loja:

  1. A busca da unidade;
  2. O ideal espiritual mais elevado;
  3. O trabalho necessário para alcançá-lo.

1º. A busca da unidade

Nossa Loja deve assim ter, continuamente, a preocupação pela sua coesão, por sua unidade, que lhe assegurará a estabilidade necessária em seu desenvolvimento.

2º. O ideal espiritual mais elevado

Este ideal espiritual passa, primeiramente, pela consciência constante de representar nos trabalhos da Loja a Ordem dos Franco-Maçons, no que ela tem de melhor, de mais respeitável e de essencial. É a própria consciência, a ideia fixa de Willermoz: “a Maçonaria é o veículo de verdades raras e importantes”.

3º. O trabalho necessário para alcançá-lo

É o trabalho em seu sentido mais espiritual. Nada pior que uma Loja que sussurra comodamente no conforto espiritual de uma boa oficina, crendo-se a melhor das oficinas de obreiros, o “modelo a ser seguido”. É a análise profunda dos símbolos da Loja, através de uma prática rigorosa do Ritual, da exigência desse trabalho diante dos Irmãos que a compõem.

III – A importância desta Festa para cada um dos Irmãos da Loja

Este trabalho de retificação deve ser continuado, também, para cada um dos Irmãos. A esse respeito, três coisas nos parecem essenciais ao Maçom para sua própria renovação:

  1. O sentido de compromisso na Ordem;
  2. A consciência de uma renovação necessária;
  3. O sentido do amor fraternal.

1º. O sentido de compromisso na Ordem

O compromisso do maçom é algo de suma importância. Sim, porque não é um compromisso penoso, é o compromisso do homem livre.

E esta Festa da Renovação da Ordem, não é também a Festa em que nós mesmos renovamos nossos compromissos perante Deus, perante nossos Irmãos e perante a humanidade? Nosso compromisso na Ordem traz em si a verdadeira liberdade, como verdadeiramente é uma semente.

2º. A consciência de uma renovação necessária

Se não tivéssemos consciência desta necessidade, estaríamos aqui neste momento? Trata-se, como bem disse São Paulo, “de matar o homem velho para originar o homem novo”, como que fazendo eco as palavras de João Evangelista: “Eis que faço coisas novas”. Em virtude das maravilhosas correspondências que tem com o milagre da Unidade, a Ordem é também nossa própria ordem interior. É verdadeiramente inerente a uma Ordem autenticamente iniciática, que nos permite reencontrar nossa ordem interior. Em outras palavras, esta Festa é também a Festa de nossa própria renovação na Ordem.

3º. O sentido do amor fraternal

É o amor que nos renova, que transforma a visão com que olhamos nossos Irmãos. Como se pretende amar Deus se somos incapazes de amar nossos Irmãos? Amar teu Irmão pelo que ele realmente é, pelo que ele É no fundo de si mesmo, sendo assim tanto para você quanto para qualquer outro, que esta renovação revela cada um a si mesmo. É nisto que consiste a revelação que Nosso Senhor nos revela no mais profundo de nossos corações, ali onde o silêncio e a pureza recebem sua Palavra reveladora.

Que possamos dizer com o apóstolo João, o bem-amado do Senhor, “sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos nossos Irmãos”. Em outras palavras, esta Festa é também a Festa de nossa própria renovação no amor fraternal.

E para concluir, um desejo…

Que esta Festa seja vivenciada, no próximo ano, como uma verdadeira Festa, com toda a alegria, todo o amor fraternal e todo o esplendor que ela merece. Que nesta ocasião, tenhamos todos uma plena consciência de ser um com esta Ordem, a mais antiga e respeitável que nunca existiu.

Que possamos, para a Glória do Grande Arquiteto do Universo, e em nome da Ordem, nos preparar no mais profundo de nossos corações, ali onde cessam todas as palavras vãs, mas onde reina o Verbo, eternamente, a fim de que estejamos verdadeiramente renovados.

O RER e o Cristianismo

O RER E O CRISTIANISMO

Extrato da Instrução Moral do Grau de Mestre Escocês de Santo André (Biblioteca pública de Lyon):

As leis maçônicas proíbem (1) expressamente no interior das Lojas toda discussão sobre assuntos de religião, política e de qualquer outra ciência profana. Esta regra é infinitamente sábia, pois nossas Lojas são, em qualquer lugar, escolas de moral religiosa, social e patriótica, nas quais se aprende a exercer a beneficência em toda sua extensão, e nunca são escolas de teologia, política, nem de qualquer outro assunto profano (2). Por outro lado, em vista da diversidade de opiniões humanas de todo gênero, nossas leis tiveram que proibir toda discussão que viesse a perturbar a paz, a união e a harmonia fraternal.

Supondo, inclusive, que o termo final da instituição maçônica visa dar, para aqueles que o alcançam, luzes suficientes para resolver com precisão as questões e discussões religiosas que poderiam surgir entre os Irmãos (se disto pudessem livrar-se…), onde estaria, nas Lojas Simbólicas, o tribunal suficientemente esclarecido para ajuizar suas decisões e fazê-las respeitar? (3) Sendo assim, repetimos, as leis que nos proíbem expressamente toda discussão sobre estes assuntos, são infinitamente sábias e devem ser rigorosamente observadas.

[…]

A Ordem, meu Querido Irmão, é essencialmente tolerante e não deseja nada mais além do que declarações livres. Considere como Irmãos todos os maçons que levam o nome de cristãos e não o desonram, independente da comunhão cristã a que pertençam.

[…]

Aqueles nossos Irmãos encarregados de vossa preparação em cada um dos graus precedentes, declaram sempre sobre vossa crença religiosa, considerada como a primeira garantia das virtudes maçônicas, das quais depende vosso progresso na Ordem. Isto que lhe foi dito privadamente, dizemos hoje em voz alta e sem nenhum mistério, porque chegou o momento de dizê-lo. Sim, a Ordem é cristã (4); deve sê-lo e não pode admitir em seu interior além de cristãos e homens dispostos a chegar a sê-lo de boa fé, aproveitando os conselhos fraternais que podem conduzi-los a esta finalidade…

Notas:

[1] Jamais deve-se ver um maçom retificado entrar neste tipo de discussão, plantadas por aqueles que as plantam;

[2] Efetivamente, não o são…

[3] Simplesmente não existem, e todo aquele que quer dogmatizar estes assuntos, acaba por afastar-se das sábias prescrições de nossos fundadores. Quem pode dizer que possui suficientemente luzes para dogmatizar a este respeito? Não pode ser outro além de um louco e um sectário;

[4] Que não haja dúvidas, a Ordem é cristã.

Todos estes discursos surgem quando alguém coloca em dúvida “o perfeito catolicismo” de nosso fundador e dedica-se a dogmatizar e a mudar os rituais.

Um conselho: nos tempos atuais, os dogmas estão dando lugar as boas novas de Jesus, em vez de ocultá-la. Nadar contra a corrente pode ser exaustivo… Agora, se a visão que pode-se ter da Maçonaria Retificada é a de uma seita onde há um guru “que é o único capaz de dizer o que está certo e errado”, ou o que é cristão ou não, ou alterando coisas convenientemente, parece ser louvável, mas isso já não será mais Maçonaria retificada e creio que tampouco poderá ser chamada “cristã”…

Sobre o silêncio que deve ser observado em nossas cerimônias

SOBRE O SILÊNCIO QUE DEVE SER OBSERVADO EM NOSSAS CERIMÔNIAS

Os conselhos anexos ao Ritual de Aprendiz incluem uma seção específica “sobre a música”, onde diz: “O ritual frequentemente faz alusão ao silêncio. A música não tem lugar nas Cerimônias de Iniciação, de Passagem e de Elevação que devem ser feitas como o Ritual o indica, no mais profundo silêncio. A música não está nem na tradição nem no espírito do Retificado, que se reveste de uma certa desnudez.

O Código das Lojas Reunidas & Retificadas da França de 1779, Capítulo XVI (sobre o controle interno das Lojas), em seu segundo paragrafo coloca claramente: “Se ordena aos Irmãos guardar o mais profundo silêncio durante as Cerimônias de recepção”.

Além disso, o V. M. repete sempre que termina de abrir os Trabalhos (havendo ou não Cerimônia de Recepção) em qualquer dos graus: “Ordeno, em nome da Ordem, o mais profundo silêncio a todos os Obreiros”.

A palavra “silêncio” repete-se até 25 vezes ao longo do Ritual de Aprendiz entre os diversos procedimentos (e segue esta mesma linha no resto dos rituais), destacando a importância que o silêncio tem no desenvolvimento de nossos trabalhos. A Instrução de perguntas e respostas do Ritual de Aprendiz é bastante explícito a este respeito:

P. – Onde fostes recebido [Aprendiz]?
R. – Em uma Loja Justa e Perfeita, onde reinam a União, a Paz e o Silêncio.

Está claro: em uma Loja Justa e Perfeita deve reinar sempre e em todo momento “a União, a Paz e o Silêncio”.

A Instrução Moral do Aprendiz nos recorda igualmente que “é no silêncio, o retiro e a calma dos sentidos, que o sábio se despoja de suas paixões e preconceitos, e que dá passos seguros no caminho da virtude e da verdade”. E a medida em que avançamos, o emblema dos Mestres* nos ensina que nossa força está no silêncio e na esperança.

O silêncio forma parte essencial, como já foi dito, da desnudez e sobriedade de um Regime como o nosso, sempre está presente em todos os graus e classes de nossa Ordem e só é quebrado pelas palavras dos Irmãos quando se desenvolve o Ritual e quando suas intervenções ordenadas são admitidas por quem preside os Trabalhos. O silêncio não pretende, pois, anular a palavra, senão conduzi-la, ordená-la e dar-lhe mais profundidade e solenidade: “Calado, compreendes; Se tens compreendido, falas. No silêncio o intelecto gera a palavra”. (Advertências sobre a índole humana e a boa vida – Antônio, o Grande (Filocalia)).

Para a Ordem Interior, o Código dos CBCS de 1778, em seu Título II que estabelece os deveres dos Irmãos (paragrafo 5), diz: “A lei do silêncio & a discrição mais absoluta são fundamentais na Ordem…”; e em seu Título V, Capítulo I, fazendo referência aos Cavaleiros Capitulares que assistem ao Convento Nacional da Ordem, nos diz que o farão “observando a lei do silêncio”.

Igualmente nas Lojas Simbólicas, os Capítulos de Noviciado ou de Prefeituras terminam sua abertura ordenando um “religioso” ou “respeitoso” silêncio a todos os presentes.

O silêncio é um cooperador necessário em nossos Trabalhos Rituais, sua observância não é nem arbitrária nem subjetiva, concluindo sem nenhuma dúvida de que a música, seja da classe que seja, está proscrita em nossas assembleias, salvo que expressamente se diga o contrário, como é no caso do canto da Salve Regina na Vela de Armas dos Cavaleiros.

FESTA DA RENOVAÇÃO DA ORDEM RETIFICADA DE 06 DE NOVEMBRO

FESTA DA RENOVAÇÃO DA ORDEM RETIFICADA DE 06 DE NOVEMBRO

Há 239 anos que a Maçonaria Retificada tomava forma no Convento Nacional de Lyon, realizada em novembro de 1778. É a partir deste Convento que data o Código Maçônico das Lojas Reunidas e Retificadas que prevê, no capítulo de Banquetes e Festas, juntamente com as festas dos dois São João, esta festa de renovação da Ordem no dia 6 de novembro.

Desde então, apesar das graves dificuldades de todos os tipos, a transmissão espiritual se manteve viva, apesar dos variados âmbitos que tentaram adulterá-la ou submetê-la ao dogmatismo sectário, ela ainda mantém sua pureza em nossa Ordem, mostrando como, pela sua forma e sua organização, culminando no desenvolvimento de um ensinamento doutrinário, o Regime Retificado é absolutamente autossuficiente e completo, não necessitando de qualquer outro complemento externo.

É por isso que o Grande Priorado Retificado de Hispânia mantém-se firme em reconhecer, defender e preservar o Regime na sua especificidade organizacional, estrutural e doutrinal, a fim de que sua essência não seja alterada pelo tempo, declarando a nossa vontade de promover o referido Regime Retificado preservando a todo momento a fidelidade íntegra aos seus Princípios fundacionais promulgados nos Conventos de Lyon (1778) e Wilhelmsbad (1782). E é isso que celebramos a cada ano na Festa da Renovação da Ordem Retificada, no dia 6 de novembro.