Selo OEC

Justa e Perfeita Loja

Oração e Caridade nº 22

BLOG

Batismo de Jesus representando o sentido espiritual do batismo no Regime Escocês Retificado

O batismo de Jesus no Jordão, símbolo da regeneração espiritual e da iniciação cristã no Regime Escocês Retificado.

A Ordem dos Elus Coën e Martinez de Pasqually

A Ordem dos Elus Coën: Quase não temos notícias dos primeiros quarenta ou cinquenta anos da vida de Martinez de Pasqually…

Os distintos ramos da Tradição

Os distintos ramos da Tradição: Assim, os dois cultos, o de Caim e o de Abel, darão origem, desde a origem da História dos homens, a duas …

Homenagem dos Irmãos do Brasil do GPRDH ao Mestre Jean-Baptiste Willermoz

Os Irmãos Retificados do GPRDH no Brasil prestam homenagem a Jean-Baptiste Willermoz, fundador do Regime Escocês Retificado, com uma placa comemorativa deixada no túmulo em Lyon, França.

O caráter operativo do Regime Escocês Retificado e sua vocação espiritual

O caráter operativo do Regime Escocês Retificado e sua vocação espiritual: é uma profunda e penetrante “operação” de purgação salvífica…

Festividade de São Miguel 2025 no GPRDH

O Grande Priorado Retificado de Hispânia celebrou a Festividade de São Miguel Arcanjo em 4 de outubro de 2025, reunindo alguns membros de suas Lojas e representantes de Obediências Irmãs da França e da Itália, e de diversas Obediências Amigas de Portugal e da Espanha. Durante os atos foram realizados um Capítulo de Noviciado, o Grande Capítulo anual e a Sessão do Diretório Nacional, renovando os laços de fraternidade e fidelidade aos princípios do Regime Retificado.

Fênix renasce em Lyon

Fênix renasce em Lyon: Se reafirmou o espírito refundador da Ordem Retificada de acordo com seus princípios fundacionais, tal como foi estabelecido por Jean-Baptiste Willermoz …

O Grande Oriente da França e sua “fábula” retificada

Análise histórica rigorosa que desmonta a alegada “posse” do Regime Escocês Retificado pelo Grande Oriente da França, à luz dos Tratados de União e das fontes originais do século XVIII.

Viagem do Grão-Mestre ao Brasil 2025

Em 2025 o Sereníssimo Grão-Mestre viajou ao Brasil para presidir o Encontro Nacional da Ordem Retificada no Rio de Janeiro. Durante sua visita foi constituída a Comendadoria de Nossa Senhora do Carmo, seis Escudeiros Noviços foram recebidos e houve formação doutrinária, consolidando a presença da Ordem e fortalecendo os laços fraternais no país.

A ORDEM RETIFICADA NÃO ADMITE UMA DOUTRINA OPOSTA À SUA REGRA FUNDAMENTAL

A Ordem, não podendo acolher aqueles indivíduos que sustentam uma doutrina oposta àquela que constitui a sua regra fundamental…

Um retrato falso de Martinez de Pasqually

Este artigo analisa um retrato amplamente divulgado como sendo de Martinez de Pasqually, mestre fundador do martinismo, demonstrando que se trata de uma representação falsa, sem qualquer base documental ou histórica. Uma leitura importante para preservar a integridade da Tradição.

NOTAS SOBRE O BATISMO
NO REGIME ESCOCÊS RETIFICADO

Trechos da obra “RER e o Cristianismo Transcendente” de Jean-Marc Vivenza

Representação do batismo de Jesus, símbolo iniciático no Regime Escocês Retificado

Cena clássica do batismo de Jesus, que inspira a compreensão espiritual do sacramento no contexto do Regime Escocês Retificado.

Introdução

(…) O Regime Escocês Retificado insiste no caráter “cristão” da Ordem e, por outro lado, só aceita em seu seio cristãos ou pessoas muito “desejosas de sê-lo”. Este detalhe é importante, pois permite e dá espaço para um verdadeiro processo de aproximação ao cristianismo para as almas ainda indecisas, inseguras e em busca de respostas. Nossos textos acrescentam, além disso, que esse “desejo” deve ser “de boa fé” (1), o que significa que é essencial que ele seja sério, sincero e autêntico, e não apenas circunstancial, compreendendo que o batismo, que marca de forma perene a entrada do ser “natural” na cristandade e seu “nascimento” na “vida sobrenatural”, não é um simples “certificado” de cristianismo administrado formalmente pela Igreja, mas trata-se, na verdade, de um nascimento, pela Fé, na “vida sobrenatural” da alma e, subsequentemente, e sem sombra de dúvidas, sobre tudo e antes de mais nada, na capacidade do cristão de caminhar ao longo de seus dias fielmente em relação à nova “vida” recebida no dia do batismo, e da “Fé” confessada e afirmada, não apenas com palavras, mas também com o coração, com a verdade, com profundidade e a plena consciência do que significa e implica realmente dizer-se discípulo de Cristo, que confessa a “nova lei do Amor” do Evangelho (2).

Anexo III: A Santa e Indivisível Trindade no Regime Escocês Retificado – A impossibilidade de uma teologia separada

(…) Por que tanta unidade e precisão nas declarações doutrinais muitos anos antes de Niceia? A razão parece ser simples: durante o rito batismal — cujo desenvolvimento é amplamente conhecido hoje graças a estudos rigorosos sobre o tema —, pedia-se ao novo cristão que recitasse uma espécie de profissão de fé, uma declaração que expressasse precisamente o conteúdo de sua crença. Sabe-se que o período de batismos ocorria entre as festas de Páscoa e de Pentecostes; antes da cerimônia, os catecúmenos eram preparados durante quarenta dias com jejum e oração, aprendiam de coração o Pai-Nosso, eram instruídos profundamente nos sacramentos e a disciplina da Igreja. Chegado o dia, à meia-noite, com homens e mulheres separados por uma cortina, o bispo, iluminado apenas por tochas, batizava os novos fiéis que, estendendo a mão para o oeste, diziam: “Eu renuncio a ti, Satanás, a todas as tuas obras, a todos os teus artifícios e a todo o teu serviço”, e em seguida, virando-se para o leste, proclamavam sua fé com voz firme: “Eu creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo”. Após isso, eram ungidos com azeite consagrado, e o bispo os conduzia até a cisterna, onde eram submersos por três vezes, confessando, em cada imersão, sua fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo; em seguida, eram vestidos com uma túnica branca que simbolizava a pureza restaurada da alma regenerada em Cristo, recebiam o beijo da paz e lhes era oferecido um pouco de mel e leite. Depois, eram admitidos para recitar a oração dominical e, finalmente, autorizados a participar da santa Ceia. Assim, como podemos observar, no próprio ato de batismo — realizado por essa tríplice imersão, consagrando sucessivamente cada uma das três pessoas divinas ao novo “filho de Deus” — o neófito era interrogado sobre a autenticidade de sua fé.

O interesse deste vínculo entre a natureza da fé e o batismo decorre do fato de que a liturgia batismal, desde os primeiros dias do cristianismo, não nasceu de uma preocupação polêmica ou dogmática, mas sim de um dever evangélico que o próprio Jesus impôs aos seus apóstolos:

“Ide, pois, e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…”

(Mateus, 28:19).

Desta forma, esta liturgia primitiva, verdadeiro rito de iniciação que acabamos de descobrir e explicar, prevalecerá e terá autoridade sobre todas as controvérsias dogmáticas posteriores, pois precedeu a todas elas.

“Assim, a imersão batismal e a profissão do símbolo são dois elementos inseparáveis de uma mesma citação; em um texto, São Cipriano pode dizer que “se batiza pelo símbolo”; e tudo isto em conjunto é o sacramento da fé, “sacramentum fidei”, como gosta de chamá-lo Tertuliano. Desde o princípio, exigia-se do novo batizado uma profissão de fé: isto é o que o diácono Filipe pede ao eunuco da rainha Candace (Atos, 8:37); isto é o que São Paulo pede a todos ao se converterem, confessar que Jesus é o Senhor e crer de coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos (Romanos, 10:9); esta profissão de fé testemunhava a adesão do neófito à catequese tradicional, como encontramos mencionado, por exemplo, em 1 Coríntios, 15:3 ss. […] De tudo que precede, um fato se torna plenamente evidente: o dogma da Trindade, assim como o dogma cristológico, é, desde o princípio, o objeto essencial da fé cristã, confessado como tal por cada cristão em seu batismo; essa constatação tem uma importância capital para a história que estamos estudando (3)”.

E é verdade que esta constatação demonstra, incontestavelmente, que as decisões conciliares faziam parte de uma continuidade tradicional, em perfeita lógica com o início dos tempos apostólicos, e que o cristianismo primitivo dos primeiros momentos depois de Cristo, apesar do caráter frágil, desigual e fracamente organizada da assembleia de fiéis, exigia dos jovens convertidos uma adesão manifesta e clara aos dois grandes princípios da nova fé: a divindade de Jesus Cristo e a essência trinitária de Deus revelada pelo Evangelho: Pai, Filho e Espírito. A partir de então, naturalmente, quando surgiram ameaças de confusão por parte de opositores da fé, ou uma distorção do ensinamento evangélico pelas diversas heresias, [estes princípios] foram apresentados:

“Para defender o dogma tradicional contra estes novos erros, a arma mais eficaz era o símbolo, e ele ganhou maior força ao unir as fórmulas [trinitárias e cristológicas] pronunciadas no batismo na unidade de uma única regra de fé. Essa unificação de fórmulas preparava tudo para a mesma coisa: ambas reivindicavam a mesma origem apostólica, ambas tinham como objeto as crenças essenciais da Igreja, ambas eram exigidas dos neófitos e necessariamente pertenciam à iniciação cristã.(4)”

Notas:

(1) “A Ordem […] só pode admitir no seu seio cristãos ou homens bem dispostos a sê-lo de boa fé.” (Cf. Ms 5922/2, B.M. de Lyon, 1809).

(2) Nunca nos esqueçamos de que uma alma, mesmo oficialmente batizada, pode ver-se distanciada da “graça” se se distanciar de Deus e perder a “Fé”. O Evangelho distingue explicitamente entre “batismo da água” e o “batismo do Espírito Santo”; João Batista declara: “Eu vos batizei com água; ele vos batizará com o Espírito Santo” (Marcos, 1:8). Jesus retoma estas mesmas palavras após a Ressurreição: “João batizou com água, mas vós, dentro de poucos dias, sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos, 1:5). Além disso, estamos bem cientes dos critérios para a participação da alma na vida sobrenatural. Estes critérios — a saber, “o Amor” e o “caminhar na luz” — não são de natureza administrativa e não dependem de um certificado, mas sim “espiritual”, São João, em sua Primeira Epístola, nos diz: “Deus é Amor; e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 João, 4:16). E ainda mais: “Mas, se caminhamos na luz, como ele próprio está na luz, estamos em comunhão uns com os outros, e o sangue de seu Filho Jesus nos purifica de todo pecado” (1 João, 1:7).

(3) J. Lebreton, op. cit., págs. 140-142; 146; 160.

(4) Ibid. pág. 161.